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Nobel da Paz elogia Portugal e pede mudança dos estilos de vida

Rajendra K. Pachauri esteve em Portugal esta terça-feira para falar das alterações climáticas. Isto é falar do estado presente do planeta, apresentar soluções e, pela urgência da questão, pôr em prática o que é preciso fazer.

O alerta global para a vida na Terra já está em curso, mas Pachauri é o Presidente do Painel Intergovernamental das Nações Unidas para as Alterações Climáticas e tem uma autoridade especial. Os elogios a Portugal e a ênfase na mudança dos estilos de vida ganham reforçado relevo quando referidos pelo cientista do ambiente.

Prémio Nobel da Paz em 2007 (que recebeu conjuntamente com Al Gore), Pachauri não deixa de analisar o estado a que se chegou, mas destaca também a forma dupla da questão pelo modo como aponta caminhos para um «Futuro Sustentável»; o tema das conferências promovidas pelo BES e pelo Expresso (que no ano passado trouxeram a Lisboa Bob Geldof e no ano anterior o protagonista de «Uma Verdade Inconveniente»).

Pachauri vai mais longe do que muitos e a conferência «Climate Change and the Challenge of Sustainable Development» não ficou pelo despertar das consciências individuais e nacionais. O também economista indiano impele à mudança para o (único) sentido certo que há a tomar. Assim como sentencia que «a humanidade não está num cruzamento, mas à beira do precipício» («não se pode andar para o lado» e «tem-se de inverter o caminho»), o responsável da ONU acredita que «viver num edifício eficiente fará com que o comportamento das pessoas seja também mais eficiente».

A visão que incita a «lidar com as alterações como um problema e não apenas com as suas consequências» ilustrou o optimismo quando não se deu a conhecer pelo problema, mas pelo «muito que Portugal está a fazer» e que «pode ser uma inspiração para o mundo». «Contente por ver Portugal líder no investimento em energias renováveis», Pachauri não se esqueceu de nomear a maior central solar do mundo (no Alentejo) ou os recursos energéticos como a biomassa.

Os milhões de resíduos agrícolas na produção de combustíveis líquidos como o etanol - sem necessidade comprá-los - é um dos exemplos da inversão que é preciso fazer na eficácia energética; como também de que «os desafios globais» devem tornar-se «desafios nacionais». «Não estamos a falar de alterações que impliquem previsões para daqui a cinco anos. Estamos a falar de consequências para décadas e séculos», afirmou o Nobel avisando que «a raça humana não pode perder um único dia».

É preciso travar «mudanças abruptas ou impactos irreversíveis» como o desaparecimento de «20 a 30 por cento» de espécies ou a alteração do sistema meridional de temperatura (com níveis máximos iguais, mas mínimos mais altos - o Ártico está a aquecer duas vezes mais do que o resto do globo). «Não podemos ter um planeta onde as pessoas são ricas e outro planeta onde as pessoas estão desprovidas de recursos. Se há pessoas sem água, sem comida, está a semear-se as sementes da discórdia», profetizou quando há milhões que sobrevivem com menos de um dólar por dia, milhões de mal nutridos, milhões de mortos pela poluição do ar.

«É preciso mudar os estilos de vida», enfatizou o responsável da ONU não só dando a arquitectura actual como exemplo do que se pode mudar nos hábitos das pessoas para uma maior eficácia energética, como frisando que «hoje há tecnologia e conhecimento para mitigar as necessidades dos pobres». É possível mais «saúde», mais «segurança energética», mais «emprego rural» e «aumentar a protecção agrícola e dos ecossistemas naturais» pela mitigação dos efeitos causados pelas alterações climáticas.

Pachauri não se fica pela análise. Indica também caminhos: «melhorar a compreensão científica das questões em jogo»; «promover a investigação e desenvolvimento e a transferência de tecnologia»; «informar e educar»; «tornar prioritárias as políticas ambientais nas tomadas de decisão»; e «internacionalizar os custos ambientais da actividade económica».

In iol/ambiente


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