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Sobre as áreas florestais da Maia…

Na Maia, existem várias zonas florestadas, num total de mais de 2000 hectares. Os povoamentos florestais contínuos de maiores dimensões encontram-se predominantemente nas freguesias a Norte e Nascente do Concelho, por apresentarem um relevo mais acentuado e solos de aptidão nitidamente florestal. Referimo-nos às freguesias de S. Pedro de Fins, Nogueira, Silva Escura, Folgosa e Santa Maria de Avioso.

Nas freguesias a Oeste do Concelho, as áreas florestais encontram-se dispersas na paisagem, em pequenos intervalos das áreas de ocupação urbana e das instalações industrial, pelo que a ausência de continuidade na paisagem constitui um obstáculo a uma exploração mais eficaz.

A exploração florestal encontra-se maioritariamente em terrenos privados e em regime de monocultura intensiva. De acordo com a política actual de florestação, as florestas constituem a matéria-prima para as indústrias de papel, madeira e seus derivados.

Factores como, baixa biodiversidade das áreas florestais, constância monocromática ao longo do ano, e baixo dinamismo sazonal são factores que concorrem para um baixo valor de qualidade da paisagem da “floresta” da Maia.

Relativamente aos fogos florestais, a Área Metropolitana do Porto é a região do País com maior número de ocorrências. Felizmente, de uma forma geral, a dimensão das áreas ardidas é reduzida, dada a dimensão das parcelas, a facilidade dos acessos e a disponibilidade e pulverização dos meios de combate, que permitem uma intervenção relativamente eficiente.


Análise do histórico e da causalidade dos incêndios florestais (últimos 10 anos)

Os incêndios florestais constituem a principal ameaça ao desenvolvimento sustentável da floresta portuguesa, constituindo um problema muito sério, acarretando importantes impactos ecológicos, sociais e económicos. A expressão que os incêndios florestais atingem no nosso país radica num conjunto de fenómenos, em que se conjugam factores morfológicos; climáticos; silvícolas, ligados à estrutura, tipo e ordenamento da floresta portuguesa, nomeadamente no Norte e Centro do país; o despovoamento do interior e o consequente declínio das áreas rurais; as profundas alterações na economia do mundo rural, assim como determinados comportamento sociais.

Desde o início da década de 70 que a problemática dos incêndios florestais, constitui uma das principais ameaças para a sustentabilidade da floresta portuguesa, desprovendo o país do seu vasto património florestal, colocando em risco a sustentabilidade económica e social do território. Nos últimos 25 anos os incêndios consumiram cerca de 2,7 milhões de hectares de áreas florestais, o que equivale a dizer aproximadamente 1/3 do território nacional. Ainda se encontra bem vincado o trágico verão de 2003, em que vastas áreas do território português foram devastadas, o que levou à declaração, por parte do governo português, do estado de calamidade nacional, colocando na agenda da actualidade política, económica e social a problemática dos incêndios florestais.

No entanto e apesar da crescente tomada de consciência da sociedade portuguesa para a problemática dos incêndios florestais, a situação futura não se apresenta nada animadora. De facto, a cada ano que passa a percentagem da área ardida tem vindo a aumentar. Durante a década de 80, assistimos a cerca de 1,4% por ano de área ardida, valor este que aumentou para 1,9% nos anos 90 e no quinquénio 2000-2004, a superfície florestal do país ardeu à taxa de 2,7% por ano. 

Entende-se como incêndio florestal, o incêndio que ocorre em espaços florestais, ou que tendo início noutra área, se estende para um espaço florestal, podendo englobar neste espaço áreas arborizadas ou não. No entanto excluem-se desta análise os fogos controlados e as queimadas, efectuados com o intuito de reduzir ou eliminar o material combustível que se vai acumulando no terreno ao longo do tempo.

Enquanto processo físico-químico de combustão material e vegetal, os incêndios florestais encontram-se directamente dependentes de dois factores: por um lado temos a ignição, que consiste no aparecimento do foco de incêndio, após a absorção da energia de activação pelo material combustível; por outro, a propagação, que consiste na expansão da combustão pelos combustível circundante, podendo este ocorrer por convecção, condução, ou radiação.

O Concelho da Maia, inserido no Núcleo Florestal Entre Douro e Vouga, apresenta um Índice de Risco de Incêndio que varia entre Baixo e Médio. No que se refere ao Índice Histórico de Incêndios Florestais, o Concelho da Maia caracteriza-se essencialmente por registar muitas ocorrências de incêndio, resultando estas em pouca área ardida.

O Concelho da Maia é, todos os anos, afectado por um elevado número de incêndios florestais, pelo que o período em análise (1996-2006) é bastante elucidativo da situação dramática que ano após ano, e sobretudo no Verão, ocorre no Concelho.

Durante este período registaram-se, no Concelho segundo os dados disponibilizados pela Direcção Geral dos Recursos Florestais, um total de 2931 ocorrências.

        Fonte: DGRF, 2005, 2006

Como podemos verificar pela análise do gráfico, apesar de haver um grande nº de ocorrências, a área ardida não é muito significativa (1242,37 ha).

Destes, apenas 426,99 ha correspondem a povoamentos e 817,378 ha correspondem a matos, isto porque no Concelho da Maia, existem pequenas manchas florestais inseridas no espaço urbano. No entanto, em 2006, esta diferença entre matos (45,933 ha) e povoamentos (5,485 ha) já é significativa, devido ao facto de o Concelho da Maia ser essencialmente urbano e conter, no seu interior, muitas pequenas manchas florestais.

   Fonte: DGRF, 2005, 2006

Se procedermos à análise por freguesia, verificamos que no período 2001-2005, em média, a freguesia de Folgosa foi a que registou um maior nº de ocorrências (31,13), seguida de Silva Escura e Nogueira, com 20,92 e 14,33 ocorrências, respectivamente. No entanto, em 2006, as freguesias que registam um maior nº de ocorrências são Águas Santas e Pedrouços, com 45 e 39 ocorrências cada. Isto deve-se ao facto de serem freguesias que se encontram em expansão urbana e, por esse facto, ser mais fácil de limpar os terrenos para construção.

   Fonte: DGRF, 2005, 2006

O ano de 2006 foi um ano em que se constatou que, ao contrário de 2005, que foi um ano excepcional a nível nacional, foi marcado por um número de ocorrências e uma área ardida que apresentam um padrão semelhante ao dos anos anteriores (exceptuando 2005), isto é, muitas ocorrências que se traduzem em pouca área ardida. Durante este ano o Concelho da Maia registou um total de 276 incêndios florestais, que se traduziram numa área ardida de 51,42 ha.

   Fonte: DGRF, 2005, 2006

No que se refere à distribuição mensal dos incêndios florestais destacam-se, naturalmente, os meses de Junho, Julho e Agosto, como aqueles que registaram um maior número de incêndios, 78, 81 e 81 respectivamente.
Este cenário é, em parte, explicado pelas condições meteorológicas verificadas neste período, em que as elevadas temperaturas associadas ao baixo teor de humidade dos combustíveis em muito contribuem para aumentar o número de ocorrências de incêndios florestais.
Em relação à forma como estes se distribuem pelos dias da semana, ocorrem de forma semelhante, ou seja, não há muitos diferenças relativamente ao nº de ocorrências durante os dias da semana, sendo que o valor mais alto, em 2006, se verifica ao Domingo.

   Fonte: DGRF, 2005, 2006

Relativamente aos dias mais críticos verificados neste período, destacam-se 4 dias: 15 (45,07 ha) e 16 de Junho (51,99 ha), 8 de Julho (83,06 ha) e 15 de Setembro (37,81 ha), sendo que todos estes dias se verificam em épocas de Festas e Romarias por todo o Concelho. De salientar que a estes 4 dias correspondem a 17% da área ardida.

 

Já no que se refere à distribuição diária, destaca-se obviamente o período entre as 12:00 e as 17:59, como o que regista um maior número de incêndios, uma vez que é neste período que se verificam as temperaturas mais elevadas.

   Fonte: DGRF, 2005, 2006

No que se refere à distribuição da área ardida por classes de extensão, verifica-se que o maior número de ocorrências ocorre na classe de extensão com área inferior a 1 ha, isto porque, como já foi referido anteriormente, o concelho da Maia é caracterizado por existirem pequenas manchas florestais inseridas no espaço urbano.

   Fonte: DGRF, 2005, 2006

No que se refere às fontes de alerta, verifica-se que, na maioria, os incêndios são detectados por outros, sendo que, no Concelho da Maia, uma vez que existe o Corpo de Voluntários da Protecção Civil da Maia, são detectados por este Corpo, mas, como não há ainda essa denominação a nível do CDOS, são classificados como outros.

Fonte: DGRF, 2005, 2006

No que se refere às fontes e hora de alerta, verifica-se que, na maioria, os incêndios são detectados entre as 12h e as 18h, que é também o período em que há mais ocorrências.

Fonte: DGRF, 2005, 2006

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