Entrar
Esqueceu a sua senha?
 
Você está aqui: Entrada / Ambiente / Espaços Verdes / Projectos / Quinta da Caverneira

Quinta da Caverneira

QUINTA DA CAVERNEIRA

A propriedade, outrora pomar e jardim cuidados, estava, à data do inicio das obras, plena de ervas daninhas, transfigurada em matagal anárquico em certos locais impenetrável. Desta desordem orgânica selvática, sobressaía apenas a serena Tília, de copa generosa, que, do topo de pequena colina, domina a encosta Nascente, ensombra de fresca apetecida a eira e monta guarda à casa.

Não havendo vestígios vegetais suficientes para recriar o jardim e quintal originais, optou-se por desenhar um jardim contemporâneo com referências eclécticas. A única solução para tratar o terreno acidentado e granítico foi, como dantes, a criação de socalcos.

Para a concepção dos jardins, quanto a revestimento vegetal, tivemos como principio criar duas zonas distintas. Os jardins formais de traça algo barroca em frente às construções e descendo até à via, e as matas laterais, de reminiscências românticas, fechando o espaço exterior ao excesso de informação construída na envolvente. Os terraços fronteiros são grandes espaços relvados, para desfrute dos sedentos de verde
Beiradas de alfazema ladeiam os percursos, salpicando o ar e o olhar de quem passa com a sua cor e perfume atrevido. As únicas árvores aqui são cameleiras, em memória do percurso principal da antiga quinta, que era ladeado por espécies idênticas, entretanto perdidas. Em oposição às antigas, plantadas perpendicularmente à casa, quando vistas eram amplas, as novas estão localizadas em linhas paralelas à construção, numa tentativa de criar uma barreira visual aos enormes volumes recentemente construídos na vizinhança imediata.

No terraço mais baixo, junto ao arruamento plantou-se uma linha de choupos, de crescimento rápido e grande porte intensificando este efeito barreira. Ainda neste terraço, junto ao miradouro que remata o caminho pedonal central, um toque de cor é dado por linhas de azáleas rosa, salpicando o relvado. Para o jardim do lado esquerdo principal pretendeu-se criar um pequeno bosque, cerrando o espaço para as moradias contíguas.
Plantaram-se de forma menos geométrica grupos de pinheiros mansos, loureiros, choupos, eucaliptos de jardim e carvalhos. Revestiu-se o solo a ericas, planta rasteira com flor miúda de várias cores que se assemelha às plantas silvestres das nossas matas, e giestas de jardim de várias cores. É um jardim que não necessita de grande manutenção, com ar selvagem, que só daqui a alguns anos alcançara o efeito pretendido de bosque frondoso.

Junto à eira, criou-se um pequeno jardim de aromas, que se espera impregnar o ar de perfumes dignos de olfactos requintados. Está repartido em pequenos talhões com divisões em cubo de granito. Aqui teremos menta, rosmaninho, santolina, alfazema, cidreira, camomila e salva. Do lado direito das construções um enorme talude desce para norte até ao restante terreno de cotas menos elevadas. Este talude foi, dentro do possível, regularizado, dada a existência de inúmeros afloramentos graníticos à superfície, o que dificultou a tarefa. O mesmo será semeado com prado de sequeiro.

Não tendo já a formalidade dos jardins frontais, mais uma vez plantamos grupos de loureiros, pinheiros mansos, eucaliptos de jardim e carvalhos. De novo o efeito de bosque é pretendido. Na segunda fase de obra, ainda não executada, o restante terreno será tratado.

Para este novo espaço projectou-se um parque infantil, dadas as carências neste sentido verificadas na população local. Estudamos actualmente a possibilidade de incorporar neste espaço, pequenas hortas biológicas a concessionar em talhões à população vizinha, reinventando a tradição do pequeno quintal nortenho, para quem habita nos espaços exíguos e sem logradouro da habitação em altura. Esta experiência, já testada em vários pontos do concelho com apoio da LIPOR, tem tido resultados muito satisfatórios. Como a natureza deste terreno é granítica, íngreme e com grandes diferenças de cotas, o seu programa não é muito ambicioso. Para além dos espaços já mencionados, pretende-se apenas criar um percurso de ligação pedonal aos percursos já existentes, semear prado de sequeiro e plantar abundantes árvores, transformado-o num local de passeio aprazível, numa barreira verde eficaz ao usufruto com qualidade do espaço de todo o equipamento e num verde, essencial para densamente construída área em que se insere.

 

[Galeria de fotos da Quinta da Caverneira]

Acções do Documento