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Sobre a gestão de resíduos

Devido à natureza dos materiais que usamos diariamente em nossas casas, a grande percentagem dos resíduos que produzimos é passível de ser valorizada.

De uma forma geral, mais de 35% dos resíduos sólidos urbanos (RSU) consistem em material orgânico (ex.: restos de comida, resíduos verdes de jardim, etc.); o papel e cartão têm uma fatia de 23,7%; 13,5% são embalagens de plástico e metal; e o vidro ocupa 5,6% sendo o restante, têxteis, finos, madeira e outros resíduos (Fonte: Agência Portuguesa do Ambiente).

Os resíduos representam uma enorme perda de recursos, sob a forma de materiais e de energia. Ora, ao valorizarmos adequadamente os materiais, estaremos a aumentar o seu tempo de vida no circuito de consumo.

Basta observar os intervalos de tempo (aproximados) dos diferentes materiais que usamos todos os dias.

 

Material

Tempo de degradação

PAPEL

3 MESES

PLÁSTICO

50 a 450 anos (dependendo do tipo de plástico)

METAL

50 (lata de ferro) a 500 anos (lata de alumínio)

VIDRO

4 mil a 1 milhão de anos

PILHA

100 a 500 anos

 OUTROS:

 

 Filtro de cigarro e pastilhas elásticas

Cerca de 5 anos

Madeira pintada

13 anos

Fio de nylon

30 anos

 Borracha

tempo indeterminado

 

O Plano Estratégico de Resíduos Sólidos Urbanos (PERSU) define a estratégia de gestão dos resíduos sólidos urbanos, a nível nacional. Estabelece as prioridades no domínio da gestão dos RSU, as metas a atingir e as acções a implementar, e as regras orientadoras dos planos de acção nesta matéria.

A sua primeira versão publicada em 1997, o PERSU I, determinou o encerramento de mais de trezentas “lixeiras” existentes em Portugal, o lançamento da recolha selectiva e a promoção da reciclagem através da instalação de ecopontos e ecocentros, a valorização da compostagem e a construção de infra-estruturas de valorização (as centrais de valorização energética) e eliminação (os aterros sanitários controlados).

O PERSU I forneceu ainda linhas de orientação geral para a criação de fluxos especiais de resíduos (veículos em fim de vida, resíduos de equipamentos eléctricos e electrónicos, pneus, óleos alimentares usados, pilhas, etc.), abrindo caminho para a valorização destes resíduos. A segunda versão, o PERSU II, aprovada em 2007, apresenta metas ainda mais ambiciosas para o decénio 2007-2017, dando continuidade à política de gestão de resíduos, tendo em conta o cumprimento da legislação nacional e comunitária nesta matéria.

Enquanto cidadãos, devemos aplicar na prática a Política dos 3R’s: Reduzir, Reutilizar e Reciclar. De acordo com esta política traçada no PERSU, é desejável que, prioritariamente, se reduza a produção de resíduos em casa, na escola e no local de trabalho; em segundo lugar, que se reutilize, i.e. que se use um produto mais do que uma vez, para o mesmo fim ou para outro para o qual foi criado e, também que contribuamos para a reciclagem dos resíduos, i.e. a valorização dos componentes dos RSU, através da qual se recuperam e regeneram diferentes materiais de modo a originar novos produtos (saiba como, em Conselhos ao Munícipe).

A reutilização dos resíduos pode ser "convencional", em que os produtos são pensados para a sua reutilização posterior (ex. embalagens, recauchutagem de pneus, etc.); ou "artesanal", quando são encontrados novos usos para os produtos (ex. utilização de frascos de vidro para outros fins, etc.).

 

 

Símbolo reciclagem

Se também contribuirmos para a reciclagem, estaremos a:

>  Economizar energia;

>  Poupar matérias-primas e preservar os recursos naturais;

>  Reduzir a quantidade de resíduos sólidos urbanos que vão para aterros sanitários, prolongando o tempo de vida útil destas infra-estruturas.

 

Porquê reciclar as embalagens?

Todas as embalagens que existem no mercado português têm de estar obrigatoriamente abrangidas por um de dois sistemas de gestão de resíduos: Sistema de Consignação ou Sistema Integrado.

Através do Sistema de Consignação, o consumidor da embalagem paga um determinado valor de depósito no acto da compra (a vulgar “tara”) e esse valor é-lhe devolvido aquando da entrega da embalagem usada. É o que acontece com as embalagens reutilizáveis, como por exemplo, as garrafas de cerveja.

No Sistema Integrado, para embalagens não reutilizáveis (a maioria), o consumidor da embalagem é informado através do símbolo Ponto Verde marcado na embalagem, de que deverá colocar a embalagem usada num determinado ecoponto para posterior reciclagem. Este sistema é portanto uma forma de promover a recolha selectiva de RSU e de valorizar as embalagens, sendo este processo assegurado pela Sociedade Ponto Verde (SPV), constituída em Novembro de 1996.

 

Os destinos dos resíduos urbanos:

A par com a reciclagem multimaterial, é possível valorizar a fracção orgânica (resíduos verdes e castanhos) dos resíduos sólidos urbanos (RSU) através do processo de compostagem. Esta prática não é mais do que a transformação da matéria orgânica num produto final suficientemente estabilizado que pode ser aplicado no solo com múltiplas vantagens sobre os fertilizantes químicos de síntese, a que se dá o nome de composto.

Uma vez que a fracção orgânica é a que está em maior quantidade nos resíduos de nossas casas, a compostagem ressurge, das vivências rurais, como a solução mais adequada, permitindo reduzir significativamente a quantidade de resíduos enviados para aterro e devolver ao solo a matéria orgânica de que necessita como suporte de vida.

A fracção de resíduos que não possa ser aproveitada através dos processos de reciclagem multimaterial e compostagem podem ainda ser valorizados através de um processo térmico controlado, a valorização energética, com a produção de energia eléctrica.

Para aqueles materiais que não podem ser valorizados de forma alguma através da reciclagem multimaterial e orgânica ou da valorização energética, resta-lhes o confinamento técnico em aterros sanitários, pelo que este é o último patamar na hierarquia do PERSU. Ao contrário das poluentes “lixeiras” a céu aberto, trata-se de um sistema de deposição final dos resíduos em aterro sanitário devidamente controlado, como acontece na Maia.

Em 2006, cada habitante da UE-27 produziu 517 kg/habitante, enquanto em Portugal a média é inferior à comunitária (435 kg/habitante). Segundo dados da Agência Portuguesa do Ambiente, para o ano de 2006, em Portugal Continental, foram recolhidas 4.641.103 toneladas de resíduos sólidos urbanos, sendo 89,5% proveniente de recolha indiferenciada (não recicláveis) e 10,5% de recolha selectiva (recicláveis).

Das 4.152.523 toneladas de RU provenientes da recolha indiferenciada, aproximadamente 73% tem como destino a deposição em aterro sanitário, 21% a incineração (também chamada valorização energética) e 6% a valorização orgânica (compostagem). Das 489 mil toneladas de RU recolhidos selectivamente, 61% correspondem a resíduos de embalagens, papel/cartão, vidro e pilhas recolhidos através da rede de ecopontos e porta-a-porta, cerca de 30% a resíduos entregues em ecocentros e os restantes 9% resíduos orgânicos destinados para compostagem.

 

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Destino final de RSU em Portugal (2003-2006) – Fonte: APA

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