Entrar
Esqueceu a sua senha?
Poll
Está familiarizado com as consequências das alterações climáticas na saúde?
 Sim
 Não
 Vagamente
 
Você está aqui: Entrada / Newsletter_DAPGU / N.31 / Dossier biodiversidade urbana - Parte II - Para que serve a biodiversidade urbana?

Dossier biodiversidade urbana - Parte II - Para que serve a biodiversidade urbana?

Na anterior edição da newsletter permaneceu a pergunta. Porque preciso de biodiversidade urbana, não basta que exista fora das cidades?

 

A resposta é um contundente, não! Precisamos de biodiversidade urbana. Eis algumas razões:

Em 2009, 50 % da humanidade passou a viver em cidades (Nações Unidas 2010). Espera-se que em 2020 este número seja de 80% (Agência Europeia do Ambiente, 2006).

As cidades são e serão ainda mais, o habitat preferido do homem, e como ninguém protege e cuida o que desconhece, o contacto com a biodiversidade deve ser parte integrante da visão e serviços ambientais, que uma cidade deve disponibilizar aos seus habitantes.

Experiências pessoais formam valores éticos e os valores irão moldar as exigências e decisões políticas. Grande parte dos decisores políticos e população vivem em cidades, sendo essencial que a sociedade urbana esteja em contacto com a biodiversidade, para lhe reconhecer a devida importância.

Em muitas tradições, filosofias e religiões seculares, existe a responsabilidade de sermos os guardiões do nosso planeta. Em 2006, o Papa João Paulo II chegou mesmo a descrever a crise ambiental, como uma crise moral. As ações para a conservação da biodiversidade, nos locais e na comunidade em que vivemos, preenchem essa lacuna ética podendo ser a forma de concretização do imperativo moral, de cuidar do futuro das gerações que se seguirão.

Os serviços prestados pela natureza e pelos ecossistemas são por definição para benefício humano, e por isso faz todo o sentido que existam, onde a densidade populacional é maior. São exemplos destes serviços ambientais, a depuração do ar, libertação de oxigénio, retenção, depuração de água da chuva e proteção contra cheias, atenuação de temperaturas extremas, redução do ruído, sequestro de carbono e o simples prazer de observar a vida selvagem nos locais que frequentamos. 

O contacto com ambientes naturais provoca também bem-estar emocional, através de mecanismos, nos quais sentimos que os problemas são mais facilmente geríveis (kuo 2001). A distinção emocional e física é difícil de fazer, tendo em conta que foi demonstrado, que os pacientes de cirurgia, recuperam mais facilmente se tiverem janelas com vista para um espaço verde (Ulrich 1984). Ainda mais impressionante é a conclusão recente, de que o nosso bem-estar psicológico aumenta, se estivermos perante uma maior biodiversidade de espécies, tendo sido avaliada a diversidade de plantas, aves e borboletas (Fuller et al. 2007). 

A biodiversidade urbana tem também a capacidade de aumentar a resiliência das sociedades aos distúrbios provocados pelas alterações climáticas, como por exemplo, através da existência de espécies que combatem pragas resultantes de desequilíbrios ambientais, como os morcegos, anfíbios e as aves insectívoras que devoram os mosquitos.

É ainda importante clarificar que as espécies oportunistas como, pombos, gaivotas e ratos e as baratas, são espécies que fizeram das cidades o seu habitat, adaptando-se, não traduzindo a biodiversidade existente em habitats naturais. Nas cidades, entre outros, os processos biológicos, como as relações presa-predador, não estão equilibrados e não obedecem aos processos naturais, por essa razão, existe uma proliferação exagerada destes seres vivos, face à abundância de alimento disponível. Quanto mais biodiversidade existir nas cidades menos a cidade é propensa à proliferação de “pragas” cujo controle irá onerar todos os cidadãos.  

Historicamente as cidades estabeleceram-se em locais ricos em recursos naturais, nomeadamente recursos hídricos, mantendo o potencial para acolher grande diversidade de espécies, sendo relativamente fácil fomentar a biodiversidade em meio urbano como veremos num futuro capítulo, deste dossier de biodiversidade urbana.

Na próxima newsletter irei  identificar os locais com mais biodiversidade numa cidade!

Até breve

Artur Branco

Curiosidades:

O telhado da Ópera de Paris acolhe colmeias há 25 anos. A colónia está em franco crescimento e produz quase 500 kg de mel anualmente. A biodiversidade na cidade é essencial para esta colónia.

 

Nos estados unidos, os serviços ambientais prestados pelas árvores urbanas, resultam na remoção anual de 711,000 toneladas de poluentes atmosféricos, providenciando um valor económico de 3.8 biliões de dólares (Nowak et al. 2006).

 

 

Biodiversidade urbana

Acções do Documento